Federação de Nadadores Salvadores alerta para aumento de mortes por afogamento
A Federação Portuguesa de Nadadores-salvadores informou na passada terça-feira, 26 de maio, que Portugal regista desde o início do ano 46 mortes por afogamento, mais 18 do que no mesmo período do ano passado, e alertou para o “gravíssimo problema” de as praias continuarem sem vigilância.
“Até ao momento temos 46 mortes por afogamento em Portugal, quando no mesmo período do ano passado tínhamos 28”, disse à Lusa o presidente da federação, Alexandre Tadeia, que já estava a contabilizar as duas mortes que ocorreram ontem numa praia sem vigilância, em Portimão, no distrito de Faro.
O responsável adiantou que o número verificado “não é normal” e se deve ao “problema gravíssimo” de as pessoas já estarem a frequentar as praias e a entrar no mar “sem haver assistência a banhistas”.
“O suposto seria termos menos mortes do que no ano passado devido ao confinamento”, referiu.
O alerta foi feito após uma reunião com o Grupo de Trabalho da Comissão de Defesa Nacional, em que foi feito o “ponto de situação” sobre a falta de nadadores-salvadores para a próxima época balnear.
“Hoje foi um bocadinho fazer a revisão da matéria dada. Fomos fazer o ponto de situação estatístico e a apresentação de todas as propostas que temos vindo a falar nos últimos tempos”, indicou Alexandre Tadeia.
Segundo o presidente da federação, estas propostas passam por incentivos fiscais e sociais para os nadadores-salvadores, designadamente a isenção de IRS, IVA, de taxas moderadoras ou de propinas, um regime especial de contratação ou uma alteração nos dispositivos de segurança, com a redução do número de vigilantes.
Alexandre Tadeia já tinha advertido no passado mês de abril que faltavam cerca de 1.500 a 2.000 nadadores-salvadores para a próxima época balnear, devido à interrupção dos cursos no âmbito do estado de emergência.
“A época balnear começa no dia 6 e só a partir daí é que sabemos se há ou não escassez de nadadores-salvadores. Até lá, temos a sensação e a preocupação da disponibilidade dos profissionais para trabalhar este verão, atendendo ao estudo que fizemos. O que sabemos é que, se se mantiver o padrão das últimas épocas balneares, vamos ter escassez, porque só metade é que volta a trabalhar no ano seguinte e não conseguimos formar o número que era suposto”, declarou.
“Quando temos cafés e restaurantes abertos não se compreende como é que se mantêm as piscinas cobertas confinadas, quando nestas existem muito melhores condições de distanciamento e prevenção da covid-19 do que em qualquer um desses locais. Se as piscinas abrissem conseguíamos reativar os cursos e, pelo menos, aumentar a quantidade de nadadores-salvadores”, frisou.
Na reunião, Alexandre Tadeia entregou ainda um documento provisório com “recomendações das medidas de segurança para os nadadores-salvadores”.
“Ainda não podemos dar exemplos porque é um documento que está em validação. Fizemos uma coletânea europeia, mas estamos a aguardar uma orientação mundial. Se não chegar a tempo, temos esta já pronta a sair. São recomendações muito técnicas para o salvamento dentro de água e para o transporte do náufrago", sublinhou..
Na reunião de ontem não houve qualquer negociação, mas o dirigente esperea que o Ministério da Defesa implemente alguma das medidas propostas.
“A comissão demonstrou grande preocupação com todo o ponto de situação que fizemos e revelaram grande interesse nas propostas que apresentámos”, concluiu.


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