Entrevista: Céline Gaspar, Presidente da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Monte Redondo e Carreira

CÉLINE GASPAR | 37 ANOS | CASADA

Iniciou funções na Freguesia de Monte Redondo em 2009 e lidera a Junta de Freguesia da União das Freguesias de Monte Redondo e Carreira desde 2013.

"O ritmo acelerado com que tivemos, e ainda temos, de desenvolver e concretizar os projetos é, sem dúvida, uma experiência que jamais esquecerei"


Costa de Prata Magazine (CPM): Quais foram seus maiores desafios enquanto presidente de Junta de Freguesia, em contexto de pandemia?

Céline Gaspar (C.G.): O maior desafio é, ainda, a adaptação da comunicação com a população. Este desafio revelou-se intenso, sobretudo aquando do desenvolvimento das iniciativas durante o Estado de Emergência, no período de confinamento obrigatório. A vontade não só de manter a Freguesia ativa e dinâmica mas também satisfazer as necessidades mais prementes da população vulnerável foi, sem dúvida, um processo extraordinário. O ritmo acelerado com que tivemos, e ainda temos, de desenvolver e concretizar os projetos é, sem dúvida, uma experiência que jamais esquecerei.


CPM: Que balanço faz das campanhas de apoio, sensibilização e solidariedade levadas a cabo pela União de Freguesias de Monte Redondo e Carreira durante o Estado de Emergência no âmbito da pandemia de Covid-19?

C.G: O balanço é, sem dúvida, positivo. Sentimos que conseguimos, de forma real, chegar à população. As iniciativas permitiram informar e instruir a população para todas as questões importantes nesse período. A responsabilidade da população e o conjunto das ações da Junta de Freguesia permitiram ter resultados positivos e evitar o contágio. Os números falam por si e estou muito grata pelo espírito de comunidade que cada um dos cidadãos da nossa Freguesia assumiu e que permitiu proteger as nossas pessoas e o nosso território. 


C.P.M: Na sua opinião, como está a decorrer o regresso gradual à normalidade após a fase de confinamento na União de Freguesias de Monte redondo e Carreira?

C.G: Até ao momento continuamos a sentir responsabilidade na ação da população. Para já não registámos situações que possam colocar em perigo e que possam permitir o contágio. No entanto, é muito importante que todos mantenham esse espírito responsável porque ainda estamos longe de ter vencido esta pandemia.


C.P.M: Como correu a reabertura da Feira dos 29, em Monte Redondo?

C.G: A reabertura da Feira dos 29 correu, na nossa perspetiva, de forma positiva. A população e os feirantes cumpriram em pleno as regras do Plano de Contingência implementado. Naturalmente, que o facto de sermos os primeiros a reabrir uma feira no Concelho de Leiria apresentou-se um maior desafio. O mapa da Feira teve de sofrer umas pequenas alterações e estamos certos que conseguimos melhorar para que nos aproximemos, ainda mais, do equilíbrio entre as necessidades dos intervenientes e as normas emanadas pela Direção Geral da Saúde.


C.P.M: Qual será, na sua opinião, o impacto do cancelamento de eventos devido à pandemia?

C.G: O cancelamento de eventos devido à pandemia ressentir-se-à a vários níveis, nomeadamente sociais, culturais e económicos. O facto de não ser possível proporcionar o convívio e a interação social entre as pessoas trará consequências para o cidadão comum. A acrescer a esta situação há o efeito negativo sobre os agentes culturais que terão resultados negativos ao nível da criação artística e das suas responsabilidades financeiras, sobretudo para as associações e as coletividades que sobrevivem deste tipo de iniciativa. Somando a tudo isto os efeitos económicos atingirão igualmente os comércios e serviços, o que numa comunidade tem, sem dúvida, repercussões negativas. Aqui o papel da administração central e das autarquias locais tem de ser muito ativo para apoiar todos os intervenientes deste tipo de ação. Além disso, importa que cada um dos agentes se possa reinventar e desenvolver atividades que permitam equilibrar esta vivência e a responsabilidade de promoção da saúde pública.


C.P.M:  Sabemos que houve uma intervenção de limpeza e preparação da Pista de Pesca do Vale do Lis para mais uma temporada de competições nacionais. Qual foi o papel da Junta de Freguesia nesta iniciativa?

C.G: A Junta de Freguesia da União das Freguesias de Monte Redondo e Carreira realiza uma limpeza anual na Pista de Pesca do Vale do Lis. Embora a Pista de Pesca seja dinamizada por uma associação da Freguesia de Monte Real e Carvide, geograficamente este local pertence à nossa Freguesia, e é para nós fundamental fazer parte deste projeto. Congratulamo-nos significativamente com o trabalho que a Associação “Amigos Pró-Lis” desenvolve naquele espaço e mantemos a disponibilidade para colaborar em tudo o que esteja ao nosso alcance.


C.P.M: O que nos pode adiantar em relação às obras de requalificação da zona envolvente do colector da Aroeira que ainda estão em curso?

C.G: O coletor da Aroeira é um espaço com significado relevante para a população da nossa Freguesia. Um dos objetivos da nossa equipa para este quadriénio era criar um espaço naquele local que permitisse à população desfrutar de todos os benefícios da ligação à natureza. Neste contexto, a construção de um jardim, a requalificação dos tanques e a limpeza profunda do rio surgem dessa vontade de dar dignidade a um local que tem a alma do passado das nossas gentes. Neste momento, o espaço permite uma fruição da paisagem e, quem sabe no futuro possa vir a ser possível o desenvolvimento de outras atividades que permitem também à população usufruir do próprio coletor noutras vertentes. Continuaremos a trabalhar nesse sentido.


C.P.M: Prognóstico para as próximas eleições?

C.G: Tudo tem o seu tempo e neste momento as eleições não estão no meu pensamento e nem tenho definido qualquer objetivo relativamente a essa questão. O projeto 2017-2021 ainda está a decorrer e o meu foco é na sua concretização 

Entrevista e texto: Marta Botas

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