Leiria: Quercus exige tratamento eficaz para efluentes suinícolas
Associação lembra que a ETAR de Coimbrão trata "pouco mais de 60 m3" por dia
A Quercus exigiu ontem que se faça um tratamento “eficaz” dos efluentes suinícolas produzidos pelas empresas do setor, que operam na zona da bacia hidrográfica do rio Lis, além de ter criticado a solução do espalhamento avançada pelo ministro do Ambiente.
Na última
Comissão de Agricultura e Mar sobre a poluição na bacia hidrográfica do Lis, o
Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, referiu
que “o principal destino dos efluentes pecuários é a valorização agrícola” e
que “acreditámos, numa determinada fase, que a solução poderia ser uma solução
pública através de uma ETES [Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas]”.
Numa nota de
imprensa citada pela Lusa, a Quercus – Associação Nacional de Conservação da
Natureza considera que o ministro do Ambiente, “com as afirmações anteriores,
revelou incapacidade de resolver um grave problema ambiental que se verifica na
bacia do Lis, apontando como primeira solução o espalhamento de efluente”.
Para a Associação,
“urge avançar com um tratamento eficaz”, cuja solução não passa pelo
espalhamento, que seria “um factor de agravamento do passivo ambiental que
actualmente se verifica”.
A Associação
Nacional de Conservação da Natureza defende que se procurem “as melhores
técnicas disponíveis para solucionar o problema da poluição da bacia do Lis por
efluentes suinícolas e não deixará de pugnar por uma solução efectiva e real
que promova a despoluição da bacia do Lis”.
No entender da
Quercus, “a construção de ETES pode contribuir para o processo de despoluição
da bacia do Lis, à qual, naturalmente se devem somar outras acções”.
Estimando que nos
vários municípios que fazem parte da bacia hidrográfica do Lis existam mais de
500 suiniculturas, “o que se traduz em cerca de 1.000 metros cúbicos por dia [m3/dia]
de efluentes suinícolas”, a Associação lembra ainda que a Estação de Tratamento
de Águas Residuais (ETAR) de Coimbrão, no concelho de Leiria, “adaptada ao
tratamento até 700 m3 efluentes suinícolas” trata “por dia pouco mais de 60 m3”
e que “como consequência” de tudo isto “existe ainda um elevado volume de
efluentes suinícolas que não são alvo de qualquer tratamento, sendo
descarregados descontroladamente (rio Lena, rio Lis e ribeira dos Milagres),
com graves consequências ambientais, para as populações e para a saúde
pública”.
Recorde-se que em
dezembro do ano passado, o Ministro do Ambiente e da Ação Climática admitiu que
não seria construída uma ETES em Leiria, por falta de compromisso com os
empresários do setor.
“A solução de uma
grande ETAR demonstra ser uma solução ineficiente, que vai obrigar a um investimento
grande”, disse João Pedro Matos Fernandes, salientando que “o problema não está
no investimento, mas na garantia e no compromisso de quem produz efluentes de
os levar a essa mesma ETAR, porque não existe uma rede de esgoto”.
Fonte: Lusa


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